terça-feira, 3 de junho de 2014

O DOCE SABOR DO NOSSO MERCADÃO

Boa tarde de friozinho, amigos leitores!
Frio dá fome e fome pede receita. Hoje eu volto a falar sobre o nosso querido Mercado Municipal, para passar as receitas do menu degustação de sobremesas que eu apresentei na Arena Gastronômica em homenagem ao Mercadão de Campo Grande.
Essas receitas fazem parte de um lindo projeto do Slow Food Convívio Campo Grande, para levar mais moradores da cidade a freqüentar nosso centro gastronômico mais tradicional. De onde surgiu esse projeto? Leia o post passado, que eu estou contando tudo em detalhes. Inclusive dando a receita do prato salgado que eu desenvolvi para ele:

A principio, eu iria criar apenas um prato, mas nosso Mercado é tão rico que, para que eu conseguisse mostrar um pouco de tanta fartura de ingredientes, acabei criando dois, cada um deles com 3 receitas que o compõe. E nada melhor para mostrar vários elementos do que um menu degustação. Por isso o meu sample de sobremesa, carinhosamente batizado com o nome de “O Doce Sabor do Nosso Mercadão”.
Ingredientes típicos misturados às minhas melhores lembranças de infância e diferentes técnicas gastronômicas resultaram nesse meu xodó, que eu compartilho com vocês, com muito orgulho.

O DOCE SABOR DO NOSSO MERCADÃO



Doce de bolinha de queijo com calda de tereré

Quem passeia pelos corredores do Mercadão logo nota que existem vidros de queijadinha espalhados por várias bancas. O que os campo-grandenses chamam de queijadinha eu aprendi a chamar de doce de bolinha de queijo, que sempre foi o meu doce em compota preferido. Por que comer figo e abóbora se você pode escolher queijo, ovo e açúcar?? Hehehe... Pois bem, resolvi fazer a queijadinha do jeito que aprendi com a minha mãe, adicionando um toque especial do produto que mais exala aromas no nosso Mercado: a erva de tereré. Detalhe importante: bolinha de queijo boa é feita basicamente com queijo de qualidade e ovo. A maioria das receitas pede para colocar bastante amido ou farinha. Elas até que deixam a bolinha mais estável e fácil de fazer. Mas ela perde aquela linda cor amarela e sua característica original.

Ingredientes:
·         500 g de açúcar cristal
·         500 ml de água
·         40 g de erva para tereré
·         200 g de queijo caipira curado
·         1 ovo caipira
·         10 g de açúcar refinado
·         1 pitada de fermento químico em pó

Rale o queijo em um ralado bem fino e misture a ele o fermento e o açúcar refinado. Adicione o ovo e misture bem, até que dê o ponto de enrolar. Faça bolinhas pequenas (cerca de 1 cm de diâmetro) e reserve.
Faça uma infusão da água com a erva e deixe ferver por cinco minutos até que pegue bem o aroma do tereré. Coe em seguida. Prepare a calda misturando o açúcar e água aromatizada, levando ao fogo até ferver e a calda começar a engrossar.  Adicione as bolinhas nessa calda e deixe cozinhar rapidamente, menos de 3 minutos, até que elas fiquem brilhantes.
Sirva quente ou em temperatura ambiente. Eu amo ela quentinha, recém-saída do tacho!
Se for guardar, tem um detalhe importante: não conserve as bolinhas na calda que usou para cozinhá-las. Ela fica com um aspecto turvo e gorduroso. Prepare uma nova calda aromatizada e preencha o vidro da compota.

Bolo cremoso de fubá saboró

Nessa minha pesquisa pelo Mercadão, eu descobri que existe um tal de fubá saboró. E o que seria isso, Míriam? Ele é feito de milho cateto, abundante no Paraguai, e é com ele que se faz a sopa paraguaia original, produto que herdamos de nossos vizinhos e que se tornou um prato típico de Mato Grosso do Sul. Decidi utilizá-lo para fazer uma das minhas receitas mais fáceis e que mais fazem sucesso: o bolo de milho.

Ingredientes:
·         1 lata de milho verde com a água
·         3/4 da lata de óleo de milho
·         1 lata de leite de vaca
·         1 lata de açúcar
·         1 lata de fubá saboró
·         3 ovos caipiras inteiros
·         1 pacote pequeno de coco ralado (50g)
·         2 colheres (sopa) de fermento em pó

Bata bem todos os ingredientes no liquidificador, com exceção do fermento, que deve ser acrescentado por último, apenas usando a função pulsar. Coloque em uma forma untada e polvilhada com fubá e leve para assar em forno médio, até que esteja dourado por cima e assado no centro.

Verrine Caipira

Esse é uma receita de ar contemporâneo que entrou para fazer a composição da sobremesa. A motivação principal dela foi eu ter avistado lá no Mercadão um requeijão caipira com rapa, o que me fez lembrar mais uma vez da minha infância na fazenda, quando a gente comia a rapa do requeijão quentinha e derretida, que havia acabado de sair do fogo, coberta com bastante açúcar. Quem já passou por essa experiência, sabe bem do que estou falando. A felicidade em forma de queijo com açúcar!
Para dar esse sabor doce ao requeijão e adicionar alguns outros produtos típicos das bancas do nosso Mercado, aí está um copinho que mistura geleia de mocotó, farinha torrada de Aquidauana, cumbaru, rapadura batida na palha, manteiga de garrafa e, claro, requeijão caipira com rapa.

Ingredientes para a Ganache de Mocotó:
·         200 g de geleia de mocotó
·         100 g de creme de leite de caixinha

Levar a geleia cortada em cubos e misturada com creme de leite ao fogo, até que a geleia se derreta e forme um mistura homogênea. Essa mistura ganha o nome de ganache, por ter o mesmo princípio da ganache da trufa de chocolate: apenas chocolate e creme de leite. Reserve.

Ingredientes para a Farofa Doce com Farinha de Aquidauana e Cumbaru
·         100 g de farinha torrada de Aquidauana
·         10 g de manteiga de garrafa
·         20 g de castanha de cumbaru torrada
·         50 g de açúcar mascavo

Descascar o cumbaru e pilar ou picar grosseiramente com a faca. Levar a castanha ao fogo com a manteiga de garrafa até que fique dourada e exale um aroma amendoado. Adicionar a farinha e o açúcar e mexer por alguns minutos, até que o açúcar derreta e a farofa fique crocante. Reserve.

Ingredientes para a montagem:
·         100 g de rapadura batida na palha
·         200 g de requeijão caipira com rapa

Monte camadas em um copinho de verrine na seguinte ordem:
- Ganache de geleia
- Rapadura batida em pedaços pequenos
- 1 fatia de requeijão
- Farofa doce
- Uma fatia de requeijão
- Farofa doce


Aí é só juntar as três sobremesas e sentir na boca todos os doces sabores do nosso Mercado Municipal!

terça-feira, 20 de maio de 2014

CORES E AROMAS DO NOSSO MERCADÃO

Boa tarde, meus amigos e leitores!!

Quem me acompanha pelo Face, Insta, TopMídia e está ligado nos eventos de gastronomia da cidade sabe que eu estou tendo um novo caso de amor... sim, uma paixão pelo nosso Mercado Municipal :-)



Tudo começou com um Convívio Slow Food, onde a queridíssima Cláudia Girelli me contou sobre uma possível ação do movimento para levar mais moradores da cidade ao Mercadão, e não só os turistas. Fiquei com aquilo na cabeça e quando o Carlos Batalha, diretor da Abrasel MS, me convidou para apresentar uma oficina na Arena Gastronômica, logo juntei as pecinhas e decidi fazer duas receitas, uma doce e outra salgada, homenageando o nosso Mercado Municipal.

Para desenvolver o receita, a primeira coisa que eu fiz foi uma visita longa a atenciosa ao homenageado. Andei de banca em banca, provei algumas mercadorias, tirei fotos, conversei muito com os atendentes e redigi uma lista daqueles ingredientes que achei mais interessantes e típicos. Inclusive, essa visita me abriu tanto os horizontes sobre o que havia para se vender ali que até virou uma linda matéria na minha coluna do Top Mídia News, que você podem conferir no link abaixo:
Mercado Municipal de Campo Grande é prato cheio para cozinheiros que procuram produtos da terra.

Aí começou o processo de criação: pensa daqui, mistura de lá, combina técnicas e receitas com novos ingredientes, testes e mais testes para encontrar os melhores sabores. E eu tenho o orgulho de apresentar aqui o meu primeiro filho cujo pai é o Mercadão: o prato CORES E AROMAS DO NOSSO MERCADÃO.

Nele eu consegui misturar os aromas mais típicos com ingredientes que a gente só encontra alí e a mistura de sabor e texturas ficou (me desculpem a falta de modéstia) divina! E quando a ideia é boa e resulta em sabores gostosos, é quase um orgasmo para um cozinheiro criador :-)

Agora é só vocês darem um pulinho lá no Mercadão, se encantarem com os ingredientes, colocarem a mão na massa e se surpreenderem com tudo que a nossa terra pode nos oferecer.




* Baião do Mercadão:
Essa é a minha versão do Baião de Dois. Nela eu usei 2 tipos de feijões que a gente só encontra no Mercadão, e o feijão de corda verde que as índias vendem do outro lado da rua. Também substitui o queijo de coalho pelo requeijão caipira com rapa e, para dar aqueeeele aroma de quando a gente entra no mercado, o cheiro onipresente de erva, fiz uma infusão de tereré com o caldo de cozimento dos feijões e usei para cozinhar o arroz

·         60 g de feijão carnaval roxo
·         60 g de feijão andu
·         100 g de feijão de corda verde
·         50 g de erva de tereré
·         300 g de arroz agulhinha
·         100 g de cebola
·         30 g de alho
·         60 g de manteiga de garrafa
·         180 ml de nata
·         300 g de requeijão caipira com rapa
·         Salsinha a gosto
·         Sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:
- Cozinhar todos os feijões separadamente até que fiquem ao dente. Coar e reservar a água do cozimento. Fazer um sachê com a erva do tereré e deixar em infusão no caldo dos feijões, por cerca de 10 minutos ou até que adquira um leve aroma de tereré.
- Picar bem a cebola e o alho e refogá-los na manteiga de garrafa. Adicionar o arroz e refogar até envolver em toda a gordura. Adicionar os feijões cozido e o caldo do cozimento, até que fique 1 dedo acima do arroz. Manter no fogo até que o arroz esteja cozido.
- Adicionar a salsinha picada finamente, a nata e misturar bem. Por último, acrescentar o requeijão cortado em cubos médios e mexer delicadamente, sem desmanchar o queijo.

* Farofa especial de chia, farinha biju e linguiça seca do Mercadão
Eu cresci comendo farofa feita com farinha de mandioca biju e me dá uma tristeza profunda comer essas farofas feitas com farinha fina, sem graaaaças. Por isso não pensei duas vezes em usar a receita de farofa da mami, dando toques especiais com ingredientes do Mercado, como a chia e as famosas linguiças secas.

·         2 gomos de linguiça seca
·         100 g de cebola
·         20 g de alho
·         20 g de chia
·         200 g de farinha de mandioca biju
·         Cebolinha a gosto
·         Sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:
- Desfazer a linguiça de tripa e fritar em sua própria gordura até que fique em pedacinhos crocantes. Retirar da panela e reservar.
- Na própria gordura da linguiça, fritar a chia até que libere seus aromas. Adicionar a farinha e mexer bem, torrando até que fique dourada.
- Desligar o fogo, temperar com sal, pimenta e cebolinha e adicionar a linguiça previamente frita.

* Carne de sol com caramelo de rapadura batida, cachaça e malagueta curtida no pequi
Por último, a carne! E claro, tinha que ser a soleada, que faz o maior sucesso nos açougues do Mercadão. Para o molho, uma nova descoberta: rapadura batida, que derrete na boca como bala de coco. Com ela eu fiz um caramelo saborizado com cachaça, limão e malagueta curtida no pequi, para dar um toque agridoce contemporâneo ao prato.

·         1 kg de carne de sol
·         50 g de manteiga de garrafa
·         300 g de rapadura batida
·         60 ml de suco de limão
·         60 ml de cachaça
·         6 malaguetas curtidas no óleo com pequi
Modo de preparo:
- Cortar a carne de sol em cubos médios e cozinhar em líquido aromático até que fique bem macia.
- Preparar o molho: picar bem a malagueta e levar todos os ingredientes ao fogo até que a rapadura se derreta completamente. Reservar.
- Saltear a carne na manteiga de garrafa até que fique bem corada.

- Servir coberta com um pouco do molho de rapadura.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Red Carpet para as novas estrelas do Firula´s Café

Na noite passada eu tive o imenso prazer de voltar a um dos meus restaurantes preferidos de Campo Grande: o Firula´s Café. Já falei para o Carlos e a Milla, donos da casa: para mim, o Firula´s é muito mais do que café e tem uma das comidas mais gostosas e aconchegantes daqui. Tô pensando até em começar uma campanha para que ele se chame Firula´s Bistrô, hehehe.



Mas, voltando à noite de ontem, pude conferir o lançamento dos novos preparos da carta de café do Firula's, desenvolvidos pela Milla e pelo barista Cléber. Um espetáculo!! O evento, carinhosamente apelidado de "Drinks with the Stars", foi inspirados nas grandes estrelas do cinema. E eu fiquei super feliz em saber que um dos meus melhores alunos, o Eduardo, estava lá dento da cozinha, estagiando e ajudando a abrilhantar a noite :-)



Sounds good?? Pois a melhor parte é que cada uma das novas bebidas foi perfeitamente harmonizada com cupcakes e docinhos feitos pela chef patissiére Priscila Mendonça, a responsável pela confeitaria do Firula´s. Ela me contou que alguns dos cupcakes já fazem parte do cardápio da casa e que os outros devem ser introduzidos aos poucos, conforme a demanda do público. Ps: Minha demanda é que tenha todos!!



Sobre os cafés, os atendentes do Firula´s foram me trazendo cada um deles na sequência e indicando a melhor harmonização, com todas os detalhes bem explicados pelo Cléber. Ele inclusive me informou que já a partir de hoje todos os cafés estão disponíveis aos clientes dos Firula´s.

Acho que nem preciso contar que a noite foi uma delícia e muito menos usar palavras para tentar convencê-los a irem provar as novidades. Fico com a estratégia das imagens... afinal, contra fotos não há argumentos!!

PRIMEIRA HARMONIZAÇÃO: Café Monroe com cupcake salgado de cenoura com cream cheese



SEGUNDA HARMONIZAÇÃO: Café Mazzaropi com brownie


TERCEIRA HARMONIZAÇÃO: Café De Niro com cupcake red velvet



QUARTA HARMONIZAÇÃO: Café Roberts com cupcake de limão


QUINTA HARMONIZAÇÃO: Café 007 com cupcake de gengibre



Gostou?? O Firula´s tem 3 lojas em Campo Grande: uma no Shopping Campo Grande, outra dentro da Saraiva do Shopping Bosque dos Ipês e a terceira na Rua Euclides da Cunha, 1102.
Site: http://www.firulascafe.com.br/
Facebook: https://www.facebook.com/firulascafe?fref=ts
Instagram: @firulascafe

sexta-feira, 28 de março de 2014

Conheça um tesouro da nossa terra: o Arroz Nativo do Pantanal

Olá, meus queridos leitores!

Hoje eu estou aqui para postar o início de uma missão especial: criar receitas com o arroz nativo do Pantanal. Essa joia gastronômica do nosso Estado me foi apresentada em um seminário dos alunos do Curso de Cozinheiro do Senac, com convidados do ECOA e da UFMS. Fui presenteada com 500 g desse produto valioso, tendo o compromisso de criar novas receitas com ele.



Mesmo pedindo desculpas pelo atraso, aqui está a primeira receita: Arroz nativo do pantanal cremoso com leite de coco e cumbaru, acompanhando filé de tilápia com redução de laranja e gengibre. Vocês não fazem ideia do quanto ficou bom!!

Maaaaas, antes da receita, vamos falar um pouquinho sobre o que é, afinal, esse tal desse arroz.  As informação que eu encontrei através do site do Slow Food  (http://www.slowfoodbrasil.com/arca-do-gosto/produtos-do-brasil/707-arroz-nativo-do-pantanal) dizem que o arroz-nativo-do-pantanal, também conhecido localmente como arroz-do-campo, refere-se a duas espécies silvestres de arroz, Oryza latifolia Desv. e Oryza glumaepatulaSteud. Essas espécies estão distribuídas na Argentina, Bolívia, Paraguai e no Brasil, nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pará, Amazonas e Maranhão.

Essas espécies eram tradicionalmente colhidas e utilizadas na alimentação dos índios Guató, canoeiros do Pantanal, que chamavam o arroz de Machamo. Não havia plantio, somente a colheita. Os Guató eram uma etnia quase extinta, mas foi realdeiada em 1996 quando foi estabelecida a reserva indígena Guató, na fronteira entre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bolívia. Infelizmente, esses índios não utilizam mais esse arroz para o consumo e as populações que colhem o arroz são não indígenas, estando localizadas ao longo do rio Paraguai, nas comunidades da Barra do São Lourenço e do Castelo, ainda que os índios Guató também sejam incentivados a colher. As áreas que são utilizadas para colheita são vizinhas a um complexo de unidades de conservação (RPPNs e o Parque Nacional do Pantanal).



Por tudo isso que foi falado aí em cima, o arroz-nativo-do-pantanal se configura como uma espécie com grande potencial gastronômico de MS. Mas posso dar muito mais motivos! Vejam só todas as qualidades desse vermelhinho: é um produto de sabor agradável, com consistência al dente e paladar terroso e amendoado ao mesmo tempo; quando cozido, exala um perfume único e apresenta uma cor viva, que acrescenta riqueza ao conjunto final;  tem teor de vitaminas e proteínas mais alto do que as variedades de arroz integral encontradas no mercado; é um produto único que nunca antes foi comercializado; é excelente para ser utilizado em saladas, risotos e eu vou testar também em pratos doces.

Por último e mais importante: O valor social se refere a uma tradição na região que foi praticamente perdida e que está sendo recuperada aos poucos. Precisamos utilizar isso tudo a favor da nossa gastronomia e para promover o desenvolvimento das comunidades envolvidas na colheita. Observem que, na semana passada, o Alex Atala promoveu um evento importantíssimo sobre rizicultura. Vamos colocar o nosso arroz nativo na cena gastronômica brasileira?

Para quem se interessa em comprá-lo, infelizmente seus preços ainda são elevados devido à baixa e sazonal produção. Atualmente, o produto está sendo comercializado com ajuda da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e do Instituto ECOA. Através de um projeto de extensão, essa comercialização está sendo realizada principalmente com a comunidade universitária e restaurantes de chefs ligados ao Slow Food e as comunidades produtoras têm discutido estratégias de incrementar a produção e baixar o preço. Vamos torcer então para ter boas notícias em breve.  Enquanto isso, quem quiser maiores informações sobre ele e sobre o trabalho desenvolvido pelo ECOA, sigam sua página no Face: https://www.facebook.com/EcoaPantanal

E, finalmente, segue a nossa primeira receita! Para desenvolvê-la, eu procurei usar ingredientes fáceis de encontrar e que fazem parte do paladar dos nossos conterrâneos, como o leite de coco e a tilápia, um dos peixes mais consumidos por aqui. A redução de gengibre e laranja dá um toque especial e adocicado, que combina muito bem com os outros elementos do prato. E já que estamos usando um arroz nativo, mais uma joia de Mato Grosso do Sul para adicionar crocância e sabor à receita: nossa deliciosa castanha de cumbaru.



ARROZ NATIVO DO PANTANAL CREMOSO COM LEITE DE COCO E CUMBARU ACOMPANHANDO FILÉ DE TILÁPIA COM REDUÇÃO DE LARANJA E GENGIBRE
(Rendimento: 2 porções)



Ingrediente
Quantidade
Arroz Nativo do Pantanal
150 gramas
Alho
3 dentes
Cebola
½ unidade média
Azeite
2 colheres (sopa)
Leite de coco
150 ml
Castanha de cumbaru torrada sem casca
40 g
Sal refinado
A gosto
Peixe

Filé de tilápia
2 unidades
Laranja
2 unidades
Gengibre
20 gramas
Sal e pimenta
A gosto
Modo de fazer:
Arroz:
1.      Picar em cubinhos o alho e a cebola;
2.      Picar grosseiramente as castanhas de cumbaru, reservando algumas para decoração;
3.     Refogar a cebola no azeite até ficar transparente. Acrescentar o alho e as castanhas e refogar até que libere o aroma do cumbaru.
4.   Adicionar o arroz, mexer bem, envolvendo nos outros ingredientes e adicionar meio litro de água quente e sal a gosto;
5.     Cozinhar por cerca de 30 minutos, até que esteja al dente, adicionando mais água (se necessário) e tomando cuidado para não passar o tempo de cocção e “abrir” o grão de arroz.
6.       Finalizar com o leite de coco e servir com o filé de tilápia.
Peixe:
7.      Picar finamente ou ralar o gengibre;
8.      Retirar raspas da casca da laranja e depois retirar o suco;
9.  Temperar os filés de tilápia de acordo com a sua preferência e grelha-lo em uma frigideira antiaderente. Quando estiver no ponto certo (cozido, mas ainda úmidos), retirar da frigideira e reservar em local aquecido;
10.  Na mesma frigideira em que o peixe foi grelhado, adicionar o suco das laranjas para deglacear a panela, acrescentar o gengibre e deixar reduzir, até que forme uma calda levemente espessa.
11.   Acrescentar as raspas de laranja, temperar com sal e pimenta e servir sobre os filés de tilápia, acompanhado do arroz cremoso.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Conheça o Convivium Slow Food Campo Grande

Essa semana eu tive o prazer de participar mais uma vez de um encontro especial. Sabe aquela sensação de renovação e fé que a gente tem após um mergulho em uma cachoeira, ou na volta de um retiro ou ao final de uma meditação intensa? Foi assim que eu me senti voltando para casa do Convivium Slow Food dessa terça-feira.



Esse movimento gastronômico que prega o direito fundamental ao prazer de comer bem e defende a nossa herança culinária me foi apresentado no ano passado, quando eu participei do meu primeiro convivium. E, como disse a chef Magda Moraes, a líder do movimento em Campo Grande: o slow food nasce primeiro dentro de você e depois vai se refletindo nas pessoas ao seu redor.  Por causa das minhas raízes, da minha infância de férias e finais de semana na fazenda, dos encontros familiares ao redor da mesa eu sempre fui adepta do Slow Food sem saber, hehehe. E ainda na faculdade de gastronomia já havia aprendido a valorizar a Cozinha Brasileira. 

Mas depois de conhecer o movimento propriamente dito, ele está se tornando, devagarzinho, um modo de vida. Começando por coisas simples, como me lembrar que não é legal ficar fuçando no celular na hora do almoço, passando pelo desejo de conhecer melhor os ingredientes de Mato Grosso do Sul e chegando até a transmissão da importância do movimento aos meus alunos de gastronomia, em uma aula exclusiva.

Ainda falta muito para eu me tornar uma praticante ativa do Slow Food, eu sei. Mas a sementinha já criou raízes e ganhou meu coração, meu estômago, essa matéria e uma coluna especial minha no TopMídia News, que vocês podem conferir no link: http://www.topmidianews.com.br/miriam-arazini/noticia/slow-food-conjuga-prazer-e-alimentacao-consciente

Mas, afinal, o que é esse tal de Convivium? Convivium é uma palavra Latina que significa ‘um festim, entretenimento, um banquete'. O Slow Food usa este nome para nomear seus grupos locais. No Brasil, definiu-se usar o nome “Convívio” para os grupos locais do Slow Food. Nossos Convívios são a expressão local da filosofia Slow Food. 

Eles articulam relações com os produtores, fazem campanhas para proteger alimentos tradicionais, organizam degustações e palestras, encorajam os chefs a usar alimentos regionais, indicam produtores para participar em eventos internacionais e lutam para levar a educação do gosto às escolas. E, o mais importante: cultivam o gosto ao prazer e à qualidade de vida no dia-a-dia.

Contando mais um pouquinho sobre o Convívio dessa semana, até parece que São Pedro quis deixar nossa reunião mais aconchegante e mandou um noite tão fresquinha que a gente teve que se aquecer nas mantinhas da Magda :-)



Nós começamos assistindo a um lindo filme chamado “O Tempero da Vida”, que eu indico muito e que pode ser encontrado no You Tube. A história da profunda ligação de uma criança turca com a culinária de seu país norteou as nossas discussões sobre a importância das raízes gastronômica na formação cultural e emocional do ser humano. Cada um contribuiu com suas experiências e suas ideias, em uma conversa deliciosa e muito rica.
E como, fundamentalmente, nós estamos falando de COMIDA, aí estão as fotos dos pratos reconfortantes e cheios de sabor que os participantes levaram ao encontro dessa semana. Alguns feitos pelos próprios membros, muitos com ingredientes regionais e todos servidos e degustados com todo carinho. Posso dizer que saí de lá com fé na gastronomia, de alma renovada e muito bem alimentada.












  • Campo Grande - Campo Grande (MS)
Líder: Magda Rodrigues de Moraes
Rua Quintino Bocaiúva, 1222. Tv Morena.
79050-112 -  Campo Grande, MS
(67) 8138-7203
campogrande@slowfoodbrasil.com


segunda-feira, 3 de março de 2014

Uma noite no Irajá Gastrô

Queridos leitores e amigos, o post de hoje vai deixar vocês babando!!  Quem acompanha minhas aventuras gastronômicas pelo Instagram (@miriamarazinichef) sabe que  em janeiro eu estava no Rio e fui conhecer um novo restaurante. Confesso: quando eu cheguei por lá, estava com outro desejo que, tenho certeza, é compartilhado com todo mundo que gosta de comer bem: provar as delícias do Roberta Sudbrack (quem não conhece, procure no Insta pelo @robertasudbrack que você vai entender do estou falando ). Maaaaasssss.... o restaurante estava de férias até dia 4 de fevereiro, snif, snif... Porém, prometo que ele ainda será matéria de um post futuro.

Pois bem, daí eu parti para o plano B. Fui na net procurar outras indicações de restaurante e encontrei muitas opções muy interessantes. Como só podia escolher um, me decidi pelo Irajá, que havia sido eleito pela Veja Rio como o Melhor Restaurante de Cozinha Contemporânea de 2013. Hummmmm... sounds good, não???



Então, para falar sobre o Irajá, primeiro eu tenho que falar sobre o seu chef, Pedro de Artagão, esse moço bonito aí embaixo que anda esbanjando talento!



O Pedro entrou na gastronomia como muitos de nós: por acaso. Já ajudava na cozinha de casa, mas só despertou para a profissão quando cursava hotelaria e foi fazer um levantamento dos principais chefs do Rio. Daí foi paixão e ele decidiu que seria um deles! Começou a carreira batendo na porta do Clube Gourmet e trabalhou ao lado deJosé Hugo Celidônio. Depois passou pelo Carême de Flávia Quaresma e pelo Sofitel no Le Pré Catelan de Roland Villard. Alí mesmo no Sofitel, Pedro recebeu o convite do empresário Arthur Sendas Filho para preparar um jantar a domicilio e daí foi um pulo para virar o queridinho das socialites cariocas. Com esse trabalho personalizado, Pedro pegou gosto pelo empreendedorismo, implantou um restaurante em um hotel na Barra e, em 2007, assumiu a cozinha do Laguiole, no MAM. Precisa falar que o menino cresceu, aprendeu, criou, ficou conhecido e alcançou o que todo bom cozinheiro almeja?? E é aí que a gente chega no Irajá.

Em dezembro de 2011, o chef Pedro abriu as portas do seu Irajá, em uma casa do século XIX com tijolos maciços e telhado aparente, na charmosíssima Rua Conde de Irajá, que já virou referência gastronômica em Botafogo. Com seus 55 lugares e decoração e móveis garimpados em brechós, o restaurante ganha um ar informal e aconchegante. Existe ainda uma parede viva e outra com inspirações anotadas pelo chef, o que dá personalidade e frescor à casa.








Daí pra frente, foi só sucesso!! Em 2012 o Pedro ganhou os prêmios de Chef Revelação pela Veja Rio e também o de Melhor Restaurante Novo pela Época Rio. Já 2013 foi a consagração do Irajá  Gastrô, eleito o melhor restaurante de Cozinha Contemporânea pela Veja Comer e Beber Rio.


Não poderia deixar passar essa oportunidade, né? Posso afirmar que a noite foi muito agradável e deixou minhas lombrigas em estado de festa. Deliciem-se com as fotos do jantar e quem tiver a chance de dar um pulinho no Rio, vale muito uma visita.

Falso Toro: entrada surpreendente e fresquíssima! Tartar de lombo de atum com foie gras. O melhor prato da noite!

 Entrada 2: Pão de queijo de tapioca com coulis de damasco

Para acompanhar: suco de abacaxi, tangerina e capim limão. E Mojto Passion, feito com soda caseira, rum, hortelã, kiwi e cubos de maracujá gelados.

Prato principal 1: gnudi de baroa com funghi. Um nhocão super macio e adocicado de mandioquinha combinado com creme salgadinho de cogumelos. 

Prato principal 2: tropeiro chique com costelinha super macia e suculenta. 

A sobremesa mais pedida do Irajá: bolo quente de brigadeiro com calda de baunilha. Simplicidade em um doce pra comer de joelhos e olhos fechados, que grita lembranças da infância.

E uma versão do creme brulée, batizado de Pudim "ao inverso". 

Quem gostou e tiver oportunidade de ir ao Rio:
http://www.irajagastro.com.br/
Rua Conde Irajá, 109. Botafogo.
Telefone: (21) 2246-1395