sexta-feira, 1 de junho de 2012

Terceiro dia da Arena Gastronômica MS 2012

E aqui estou eu novamente, com todas as notícias fresquinhas e deliciosas sobre o terceiro dia da Arena Gastronômica MS 2012.


Se você ainda não sabe o que é a Arena Gastronômica, leiam o post http://miriamarazinichef.blogspot.com.br/2012/05/arena-gastronomica-ms-2012.html e fique por dentro.

Para vocês terem mais uma ideia do sucesso e do quanto esse evento está sendo importante para divulgar a gastronomia de Mato Grosso do Sul, prestem atenção na diversidade de pessoas que estava assistindo ao workshop de vinhos de ontem: estudantes, donas de casa, advogados, além do pessoal do turismo, hotelaria e gastronomia. E eu que achava que só o pessoal do setor gastronômico que iria comparecer, fiquei muito feliz com a presença do público em geral. Além disso, tive outros vários motivos de alegria nesse terceiro dia de evento e vou contar tudo para vocês agora.

LASANHA MORENA - RESTAURANTE BOM ALMOÇO


A primeira aula da Cozinha Show do dia foi apresentada pela chef Ivone Araújo, responsável pelas massas do restaurante Bom Almoço. Eu já havia provado a lasanha na semana passada, quando fui almoçar por lá e agora foi a hora de aprender a fazer. Vou passar para vocês as etapas da montagem da lasanha, pois ela não é só molho-massa-recheio, molho-massa-recheio até o fim. Ela tem seus segredos... Além disso, a massa foi feita pela própria chef e é integral, mostrando a preocupação do pessoal do restaurante em oferecer uma comida que além de gostos, é saudável. Sigam as camadas:

  1. Molho branco para untar a travessa;
  2. Massa integral;
  3. Molho de tomate;
  4. Carne de sol desfiada;
  5. Molho de tomate;
  6. Massa integral;
  7. Mussarela;
  8. Rodelas finas de banana da terra;
  9. Creme de leite;
  10. Massa integral;
  11. Molho de tomate;
  12. Carne de sol desfiada;
  13. Molho de tomate;
  14. Massa integral;
  15. Molho branco;
  16. Farinha de rosca;
  17. Cheiro verde;
  18. Molho de tomate (só um pouco, em faixas finas, para dar colorido à apresentação)
  19. Mussarela.
Apreciem o resultado:



Como eu disse, já havia provado e achei uma delícia!! Por isso não fui egoísta e deixei a degustação para a platéia, além de guardar meu estômago para os outros pratos :-) Suave e leve, por causa da massa integral. Só colocaria uma camada a mais de banana, porque ela quase não aparece. Claro que vc pode fazer em casa com a massa de sua preferência. Acho que deve ficar boa também com massa verde.

A receita completa ficou de ser disponibilizada no site do Brasil Sabor: http://www.brasilsabor.com.br/festival/receitas/exibir/6707.html

BRIGADEIRO GOURMET - CHEFS CLAUDINEI LIMA e ADRIANA MORBI

Bom, pessoal, quase todo mundo sabe que a minha especialidade são os doces. Daí vocês imaginem a torcida que eu estava para ser sorteada a sentar na mesa de degustação dessa aula. Pois a sorte ficou ao meu lado e eu quase dei pulos de alegria quando ouvi meu nome! Essa aula foi uma das minhas preferidas, não só pelo tema, mas também pelo modo como foi apresentada. Os chefs Claudinei e Adriana são docentes do Senac e fizeram questão de levar seus alunos para participarem da exposição. Eu achei muito bacana a valorização que eles dão aos alunos e deixo os meus parabéns ao pessoal do Senac, que é um dos pilares da profissionalização da gastronomia brasileira. Vejam só na foto que legal todos juntos trabalhando:


Além disso, a exposição dos brigadeiros estava um mimo! Com todo o capricho e dando idéias de decoração, eles nos apresentaram 3 tipos de brigadeiro gourmet: o brigadeiro de caipirinha, o brigadeiro de cumbaru e o brigadeiro de café com pistache. Eis as receitas:

Brigadeiro de caipirinha:
  • 200 g de leite condensado
  • 100 g de creme de leite
  • 400 g de chocolate branco
  • 200 g de chantilly batido
  • 50 ml de suco de limão
  • 50 ml de cachaça
  • 10 g de açúcar
  • raspas de limão a gosto
  1. Fazer a caipirinha misturando o limão, a cachaça e o açúcar. Reservar;
  2. Misturar o creme de leite ao leite condensado;
  3. Juntar a mistura acima com a caipirinha;
  4. Adicionar o chocolate branco derretido;
  5. Incorporar tudo no chantilly;
  6. Adicionar as raspas de limão;
  7. Deixar na geladeira por 30 minutos e, em seguida, colocar nos copinhos;
  8. Servir gelado.
Curtam o capricho:


Logo em seguida, eles apresentaram um brigadeiro bem regional, feito com a a cumbaru, uma castanha típica do nosso estado. Quem ainda não conhece e quiser provar a cumbaru, o melhor lugar para encontrá-la é no Mercadão Municipal. 

Brigadeiro de cumbaru

  • Leite condensado
  • Creme de leite
  • Chocolate ao leite em barra
  1. Levar todos os ingredientes ao fogo e fazer o brigadeiro da forma tradicional, até o ponto de enrolar (quando estiver desgrudando do fundo da panela);
  2. Fazer um crocante de açúcar e a castanha cumbaru grosseiramente triturada;
  3. Após esfriar, enrolar os docinhos e passar cada um sobre o crocante de cumbaru.
E, para finalizar, a receita do brigadeiro de café com pistache:

Brigadeiro de café com pistache
  • Café solúvel dissolvido em um pouco de água
  • Leite condessado;
  • Chocolate em pó.
  1. Levar todos os ingredientes ao fogo e fazer o brigadeiro da forma tradicional, até o ponto de enrolar (quando estiver desgrudando do fundo da panela);
  2. Triturar grosseiramente o pistache;
  3. Após esfriar, enrolar os docinhos e passar cada um no pistache triturado.
Agora babem e tentem escolher qual dos 3 provar primeiro:


Adorei os três! Provei primeiro o de cumbaru, que ainda não conhecia e achei delicioso. Depois fui para o de pistache a também aprovei a combinação com o café. Por último, o de caipirinha, que fazendo jus ao nome, deixava aparecer bastante o gosto da cachaça, para diferenciá-lo de um simples brigadeiro de limão. Fiquei encantada! Novamente, meus parabéns aos chefs docentes e a todos os alunos do Senac!

AVESTRUZ EM CORES, SABORES E TEXTURAS - FIRULA´S CAFÉ


Pois bem, apesar das minhas lombrigas estarem felizes com os brigadeiro, elas estava ansiosas para a próxima apresentação. Como muita gente sabe, eu sou fã declarada dessa casa tão charmosa de Campo Grande, o Firula's Café. Tanto que, só aqui no blog já existem 2 posts em que eu falei sobre ele:



Ou seja, eu estava quase fazendo mandinga para ser sorteada a sentar na mesa de degustação. Mas, para minha felicidade plena, fui convidada pela Milla Resina, uma das sócias do Café, a fazer parte dos jurados. Obrigada, Milla, foi um enorme prazer e me senti honrada!!

E vejam só a preocupação da equipe do Firula´s com apresentação deles: a mesa de degustação tinha jogo americano, talheres personalizados, apostila com os detalhes da receita e um presente para os jurados, um pacotinho de café do Firula´s.


Antes de executarem a receita, o outro sócio da casa, o Carlos, deu uma aula sobre o sous vide, uma técnica de cocção inovadora, à vácuo e em baixa temperatura, que garante a preservação de todas as características nutricionais, de cor e textura dos alimentos. Para nos dar uma melhor noção, ele passou pra gente a carne da avestruz já porcionada e embalada à vácuo:



Quem quiser saber mais detalhes sobre a técnica, visitem o site: http://www.sousvide.net.br/Sous_Vide_by_Gastronomy_Lab/home.html

Aí então foi a vez do chef Ricardo Cher entrar em ação. Assim, ele e Carlos foram executando a receita, nos explicando os motivos da escolha da carne de avestruz, como montar as 4 texturas, cores e sabores e o método de preparo dd crispy de couve, do purê de abóbora, da geleia de pimenta e da farofa de banana.




Depois de deixar a plateia toda curiosa e com fooome, vejam só que obra de arte chegou na nossa mesa. Eu ainda não tinha comido carne de avestruz e adorei. O sabor é parecido com carne de vaca e estava muito macia e saborosa. A couve, olha só, não leva uma pitada de tempero e estava divina! Eu adoro pratos assim, com diferentes possibilidades de degustação, que brinca com as nossas papilas. Tinha o vermelho agridoce, apimentado e gelatinoso da geleia; o aerado, adocicado e amarelo do purê de abóbora; o marom clarinho e a textura mais seca da farofa; e o verde crocante da couve. Tem como não amar??


Detalhes da receita também no site do Brasil Sabor: http://www.brasilsabor.com.br/festival/receitas/exibir/6691.html

RISOTO PANTANEIRO - TERRITÓRIO DO VINHO

Ok, vocês devem estar pensando que depois de brigadeiro gourmet e avestruz do Firula's eu deveria ter me dado por satisfeita. Maaaas, eu sabia qual seria a quarta aula do dia: Um risoto do Território do Vinho, outro grande restaurante e uma da melhores adegas daqui de Campo Grande, do qual eu também sou fã de carteirinha. E eles também já têm dois post aqui no blog:




Eu já tinha trocado umas idéias com o super simpático sommelier da casa, Donizetti Soleitão ao longo dos outros dias da Arena. E, para minha sorte e felicidade extra, antes dessa aula começar, cruzei com o super receptivo Diogo Wendling, um dos sócios da casa, sempre com um sorriso no rosto. E o Diogo me convidou para, novamente, fazer parte da mesa de degustação!! Que mais eu queria da vida??? Muito obrigada, Diogo! Mais um vez, me senti honrada com o convite.



Eu ainda não conhecia o chef Paulo, outro membro sorridente da equipe. O Diogo me disse que ele estava nervoso, mas ele apresentou seu prato com muita maestria, nos contado detalhes sobre a história do risoto e sobre os ingredientes. Vamos às dicas:
  1. Prefira um caldo de carne caseiro. O resultado final é muito superior do que quando se usa caldos industrializados;
  2. Use sempre um vinho branco seco para fazer o risoto;
  3. Frite as rodelas de banana-da-terra antes de acrescentá-la ao risoto, para amenizar o seu sabor. Se vc não fizer isso, o risoto vai ficar com gosto só de banana!;
  4. Acrescente o caldo aos poucos e mexa a preparação durante toda o processo, para garantir a cremosidade do risoto;
  5. No final, além da manteiga, adicione um pouco de requeijão fresco. Dá um toque especial.
Agora vocês imaginem um risoto cremosíssimo, com a cocção no ponto exato e uma combinação perfeita de ingredientes e texturas (o crispy de mandioca dá um tcham)! A já clássica combinação tupiniquim de carne de sol com banana-da-terra foi coroada aqui neste prato do chef Paulo.



E para tudo ficar mais-melhor-de-bão ainda, o Diogo serviu aos convidados da mesa de degustação um vinho para harmonizar com o risoto. Segundo ele, o ideal é combinar com vinhos da região do prato, porém como o Pantanal não produz vinhos :-) ele escolheu um Barbera Mont'Arquato, da região italiana do Piemonte.



Ele justificou a harmonização dizendo que essa uva tem características parecidas com a pinot noir, porém com mais tanino. Desta forma, sua acidez acompanha perfeitamente o prato, ajudando a limpar o paladar para a próxima garfada e a estrutura que os taninos dão a ele se equilibra com o sabor marcante do prato, valorizando os melhores aspectos de comida e bebida. Pois então, brindemos a isso!




CONHECENDO O MUNDO DO VINHO - TERRITÓRIO DO VINHO

Para continuar no clima gostoso dos vinhos, meu compromisso seguinte na Arena Gastronômica foi workshop Conhecendo o Mundo dos Vinhos onde o Diogo Wendling e seu sommelier Donizetti Soleitão bateram um papo com todos os presentes, contando aspectos gerais sobre a bebida de Baco.


Eles falaram sobre uvas, lugares para comprar, diferenças entre tinto, branco, rosé e espumante, regiões produtoras e aguçou a curiosidade de todos os presentes. Como eu disse lá no comecinho para vocês, essa aula foi uma prova de que a Arena Gastronômica atraiu gente de fora do setor. Pois, 80% das pessoas que estavam no workshop eram curiosos, que gostavam de vinho e queriam saber melhor sobre a bebida, sem ter ligação profissional nenhuma com a área.


E claro que todos os participantes ficaram muito felizes quando o Donizetti serviu pra gente um espumante, um branco e um tinto pra gente provar. Os 3 vinhos eram da Vinícola Milantino, uma nova empreitada do Diogo.


O branco foi feito com a uva malvasia de cândia (?!! É, eu também nunca tinha tomado) e o tinto foi feito com a malbec, e eles estão aí para continuar mostrando ao mundo que é possível produzir vinhos de qualidade no Brasil. E quem ainda não conhece essa vinícola, entre no site : http://www.milantino.com.br e saiba mais.


A única coisa ruim da palestra foi que falou tempo!! Se dependesse de nós, participantes, dava pra ficar a noite toda. Mas, como os organizadores já haviam puxado a orelha do Diogo uma duas vezes, por causa do tempo, tivemos que encerrar e eu fui conferir um pedacinho da última aula da Cozinha Show do dia.

FRONTEIRA DOS SENTIDOS. OS SABORES DO PANTANAL - DEDÊ SESCO

E a aula que encerrou o terceiro dia da Arena foi ministrada pela gastrônoma autodidata Dedê Sesco, que pilotou a cozinha do Restaurante Centurion, aqui em Campo Grande. Este restaurante recebeu as estrelas do Guia 4 Rodas por 6 anos consecutivo, até seu fechamento. Daí a gente já vê competência dessa moça lá do Paraná. 



O prato que ela apresentou na cozinha é carinhosamente chamado por ela de "Mato Grosso do Céu" e é feito com vários ingredientes típicos da região, como o palmito pupunha e o pintado. Aliás, a chef nos contou que o nosso Pantanal é considerado uma "Fortaleza Slow Food", pela Fundação Slow Food pela biodiversidade. Não é o máximo?? Quem ficou inspirado, aí vai a receita do prato:

  • 200 g de filé de pintado
  • 1 1/2 xícara de caldo de peixe
  • 2 colheres (sopa) de polpa de pequi
  • Alho e sal a gosto
  • 1 colher (chá) de manteiga
  • Óleo para untar
  • 1 colher (chá) de farinha de trigo
  • 1/2 colher (café) de poivre vert (pimenta verde em conserva)
  1. Temperara o peixe com alho e sal;
  2. Untar levemente uma frigideira anti-aderente com óleo e grelhar o filé de pintado até dourar;
  3. Acrescentar o caldo de peixe e deixar cozinhar até reduzir para aproximadamente 1/2 xícara;
  4. Retirar o filé da frigideira e manter em local aquecido;
  5. Cozinhar a farinha com a manteiga (fazer um roux) para engrossar o caldo de ficou na frigideira, acrescentar a pola de pequi e ajustar o sal;
  6. Montar prato: filé de peixe coberto com o molho de pequi, salpicado com colorau e decorado com as pimentas verdes.
Para acompanhar o prato, a chef usou um purê de abóbora sobre uma cama de pupunha refogado com espinafre. E a dica que ela deu foi a de não se comprar pupunha cortado, e sim inteiro para ser cortado na hora. Vejam só que riqueza:


E por hoje é só pessoal. Logo, logo volto com um novo post contando sobre o quarto dia do Arena Gastronômica :-)

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Segundo dia da Arena Gastronômica MS 2012

Bom dia, meus leitores!!
Ontem foi o segundo dia da Arena Gastronômica MS 2012 e eu fiquei lá o dia todinho, tirando fotos, assistindo a aulas e, claro, comendo tuuuudo para passar todos os detalhes a vocês.


Para quem ainda não sabe o que é a Arena Gastronômica, leiam o post http://miriamarazinichef.blogspot.com.br/2012/05/arena-gastronomica-ms-2012.html e fiquem por dentro.

Este foi o primeiro dia aberto ao público, que prestigiou em massa o evento. Confesso que foi bem além das minhas expectativas. Para vocês terem noção do sucesso que está sendo, quase todos os workshops já estão lotados! Mas ainda há vaga nas aulas demonstrativas. Compareçam porque está muito show!

PAELLA MISTA - EL CONSUL CATALAN

E falando em show, a primeira aula da Cozinha Show de ontem foi apresentada pelo chef Jordi do restaurante El Consul Catalan. Eles fizeram uma paella mista, um dos pratos espanhóis mais difundidos pelo mundo. E eu que achava que já sabia quase tudo de paella tive belas surpresas!

 Confiram as dicas:

  1. Faça um bom caldo de pescado caseiro, para dar mais sabor a seu prato;
  2. Para dar um toque especial, além de colocar o açafrão, adicione a sua paella um molhinho batido de com salsinha, alho e azeite;
  3. Não use polvo na paella. Ele ficaria muito borrachudo e duro nesta preparação;
  4. Calcule 100g de arroz por pessoa;
  5. Surpresa 1: qual é o arroz certo para fazer paella?? O parboilizado, diriam quase todos... ERRADO!! O arroz usado para se fazer a paella na Espanha é o arbóreo. É, esse mesmo, que a gente sempre achou que fosse apenas para fazer risoto. Mas o chef Jordi explicou que a Espanha é o maior produtor de arroz arbóreo do mundo.
  6. Surpresa 2: se é arroz arbóreo, tem que ficar mexendo, como no risoto, não? NÃO! Depois que vc acrescenta o arroz e mistura bem com as carnes e vegetais, basta colocar o caldo de pescados, adicionar os camarões grandes, mexilhões e pimentões para decorar e LEVAR AO FORNO (!!!??) por 15 minutos. Pois é... paella com arroz arbóreo, sem mexer, e finalizada no forno!!
  7. E depois do forno o ideal é deixar mais 3 minutos descansando antes de servir... a única parte parecida com o risoto. 
  8. Surpresa 3: antes de servir a paella, ele a decora com quartos de limão siciliano! Segundo o chef, muito usado na Espanha.
Vejam se não ficou linda?


Quem quiser conferir a receita detalhada, basta entrar no site do Brasil Sabor: http://www.brasilsabor.com.br/festival/receitas/exibir/7864.html

Bom, depois de tantas surpresas, claro que eu fiquei louca para provar essa paella com um monte de coisas em comum com a cozinha da Itália. E eu provei, aprovei, raspei o prato e até lambi os dedos, depois de comer o mexilhão com as mãos. Certeza que essa será minha receita agora!


Depois desse pratinho básico pós-almoço, achei melhor tomar um cafezinho. Dei uma passada no charmoso stand do Firula´s Café, bati um papo com os simpáticos proprietários Milla e Carlos, e tomei meu capuccino, que estava um delícia! Eles também estão servindo lá na Arena pães de queijo, café espresso e bolo de chocolate. Perfeito para um pausa das aulas!


PARMEGGIANA PANTANEIRA - L'ACQUA IN BOCCA

E voltemos às aulas. A segunda apresentação da Cozinha Show do dia foi feita pelo chef da L'Acqua In Bocca, uma Parmeggiana Pantaneira.


E o que será que essa parmeggiana tem de diferente, para ser chamada de pantaneira? Ela é feita com carne de jacaré! Para quem ainda não provou, a carne de jacaré é uma delícia! Tem a firmeza de uma carne de frango, mas com o sabor suave do peixe e faz o maior sucesso para as bandas do nosso Pantanal. Vejam as dicas passadas pelo chef:
  1. Para este prato, utilize a parte do rabo do jacaré, que tem a carne considerada mais nobre;
  2. Deixe marinando o filé por pelo menos 15 minutos;
  3. Para empanar, utilize a farinha de pão, caseira, e não a farinha de rosca industrializada. Um pequeno detalhe que faz uma diferença enorme!;
  4. Para dar um toque diferente, coloque um pouco de queijo holandês maasdam quando fizer o molho branco;
  5. Misture o molho branco com molho de tomate para fazer o molho rosé;
  6. Frite o jacaré empanado na gordura bem quente, para não encharcar.
Claro que eu provei e amei!! Já tinha me apaixonado pela carne de jacaré no pantanal e achei bem bacana provar essa receita ítalo-sul mato grossense que tem ela como estrela. Vejam só a foto do prato montado e digam se não dá água na boca:


Para a receita completa, basta entrar novamente no site do Brasil Sabor: 

Se vocês acham que já está bom por hoje, saibam que ainda nem chegamos à metade das aulas do dia. Sendo assim, preparem as lombrigas porque a terceira aula foi feita pelos chefs de um dos restaurantes mais tradicionais de Campo Grande, a Cantina Masseria. E o prato apresentado, o Italianíssimo, tem todo o sentido de se chamar assim.



Primeiro foi apresentado o tradicional polpettone. E para que ele fique perfeito, confira os conselhos da chef:
  1. Use patinho moído duas vezes e, para dar sabor, pode se adicionar uma gordura na carne, como manteiga ou azeite;
  2. Não faça um polpettone muito grande, para que ele cozinhe corretamente;
  3. Para que o polpettone fique cozido por inteiro, com o recheio derretido, não frite em óleo muito quente. Caso a cocção não fique completa, finalize-a colocando o polpetone no microondas por 3 minutos;
  4. O polpettone pode ser congelado já frito, porém sem o molho;
  5. Pode-se usar queijo mussarela ou prato, que derretem melhor;
  6. Cuidado ao ajustar o sal da carne, não se esquecendo que o queijo já é bem salgado
Com o polpettone montado e empanado, foi a vez do chef nos mostrar como preparar a massa que seria seu acompanhamento, um agnolotti tricolor, remetendo às cores da bandeira italiana.



Se vocês estiverem animados e para saberem o que é uma verdadeira pasta, prestem atenção nas dicas do chef para fazer a massa fresca:
  1. Misture sempre a proporção de 1 ovo para cada 100g de farinha de trigo. 
  2. Calcule 1 ovo por pessoa. Ou seja, para 10 pessoas, use 1 kg de farinha de trigo e 10 ovos. Mais nada!
  3. Para deixar a massa em tom vermelho, adicione 250 g de beterraba cozida misturada à massa de 1 kg de farinha;
  4. Para deixar a massa em tom de verde, adicione 100 g de espinafre cozido misturado à massa de 1 kg de farinha;
  5. Um cilindro facilita bastante a vida ao se aventurar na arte da massa fresca. Hoje é bem fácil de se encontrar cilindros caseiros em boas lojas de utensílios de cozinha;
  6. Se quiser dar um toque especial no seu bechamel, adicione a sua receita um pouco de vinho branco e de creme de leite.
E para quem pensou que eu não iria aguentar degustar nada mais, me respondam se tem como resistir a esse prato lindo? Assim como os outros dois, não sobrou nenhuma gota de molho para contar a história :-)



Mais um vez, confiram a receita completa no site do Brasil Sabor: 

WORKSHOP DE SUSHI E SASHIMI - CLICK SUSHI

Meu próximo compromisso na Arena Gastronômica nesse dia foi a Oficina de Sushi e Sashimi, ministrada pelo pessoal de um restaurante japonês que eu adoro aqui em Campo Grande, o Click Sushi. Aliás, para quem estiver só dando uma passada pela Arena, vocês podem dar uma pausa também no espaço do Click Sushi, que está servindo alguns de seus pratos deliciosos por lá.

Não conheço muitos restaurantes de comida japonesa de Campo Grande, mas o Click Sushi ganha mil pontos comigo pela decoração linda (o banheiro feminino é um sonho!! Queria um daquele na minha casa!), pela preocupação com ingredientes e apresentação dos pratos e, em especial, por não servir rodízio. Isso significa que o prato que chegar na sua mesa será feito especialmente para você. Isso não é fundamental na gastronomia?

Mas, voltando à Arena, o workshop foi muito legal! Pena que não dá para eu passar os detalhes da aula para vocês. Espero que as muitas fotos que estão aí abaixo matem um pouco da curiosidade e abram seu apetite:


















MINI HAMBÚRGUER DE JACARÉ NO PÃO NATURAL - CHEF BRUNO GIRELLI

Como eu estava no workshop de comida japonesa, não pude assistir a uma das aulas da cozinha show, que estava acontecendo no mesmo horário :-( . Mas eu mandei uma espiã tirar fotos, degustar e depois me contar todos os detalhes (Elementar, meu caro Watson!). No caso, a aula foi de Mini Hambúrguer de Jacaré no Pão Natural, ministrado pelo chef Bruno Girelli. 


Surpreendam-se com os detalhes do prato:
  1. Prepare o mini hambúrguer: corte o filé da cauda do jacaré em tiras bem finas. NÃO MOER!! Se moer, vai ficar borrachudo! Tempere a carne com coentro, pimenta dedo de moça, sal e dê o ponto para formar um hambúrguer com azeite de oliva e a farinha panko (para comida japonesa); Reserve para grelhar na hora de servir.
  2. Prepare um confit de tomate cereja: corte o tomate cereja ao meio, tempere com alecrim, tomilho, sal, e misture com dentes de alho inteiros. Regue com bastante azeite e leve ao forno bem baixo, 65º C (deixe a porta do forno semi-aberta, para conseguir essa temperatura), por 3 horas. Eu achei o máximo pois nunca havia visto confit feito no forno. Só conhecia o de panela, sobre o fogo. E o resultado foi bem legal :-)
  3. Monte o sanduíche: primeiro, cadê o tal do pão natural? O pão natural nada mais é do que duas folhas de alface, uma por cima e uma por baixo, envolvendo o recheio. Não é uma releitura muito legal??!! Pois bem, sobre uma folha de alface, coloque o hambúrguer grelhado e cubra-o com o confit de tomate e rodelas de cebola roxa. Feche o sanduíche com outra folha de alface, espete um palito no centro do sanduíche, regue com o azeite do confit e voilá! Vejam como ficou bacana:



A única alteração que eu faria seria colocar uma azeitona ou tomate cereja na ponta do palito, para ficar com uma apresentação mais charmosa. Mas super aprovei o prato, porque eu adoro carne de jacaré e também versões naturais de pratos tradicionais. Quem quiser conferir a receita completa, entrem no Face do Chef Bruno Girelli: https://www.facebook.com/brunogirelli . 

GESTÃO INOVADORA EM REDES DE GASTRONOMIA - COM FRED ALECRIM

E para finalizar a noite, chega de comilança! Como não basta apenas cozinhar para levar um restaurante à frente, o Fred Alecrim nos passou dicas preciosas sobre gestão, inovações em serviços e motivação de pessoal. A palestra foi riquíssima e não tem como contar os detalhes para vocês por aqui. Mas, quando tiverem oportunidade de assistir a uma aula com esse mocinho, não percam!


Por hoje é só, pessoal! Acompanhem essa festa das gastronomia sul mato grossense  aqui pelo blog e não deixem de visitar a Arena Gastronômica!!






quarta-feira, 30 de maio de 2012

Abertura da Arena Gastronômica MS 2012

Boa tarde, pessoal!



Estou aqui para contar para vocês alguns detalhes da abertura da Arena Gastronômica MS 2012, que aconteceu ontem, no Armazém Cultural. Quem ainda não sabe o que é a Arena Cultural, basta ler o último post do blog:
http://miriamarazinichef.blogspot.com.br/2012/05/arena-gastronomica-ms-2012.html

O evento será muito importante para firmar as raízes do desenvolvimento da gastronomia profissional do nosso estado, e deixá-la cada vez mais próxima ao grande público. Um presente para nós que trabalhamos com isso, e para todos vocês que adoram comer bem!

O Armazém Cultural etá lindamente decorado, com redes e grandes pendentes no teto e uma bela iluminação. Os estandes estão muito organizados e os Espaço Bar e Cozinha Show estão um mimo!



A noite de ontem foi uma abertura apenas para convidados e, depois dos discursos e agradecimentos de patrocinadores e colaboradores do evento, houve entrega de placas de novos restaurantes associados à Abrasel e foi servido um coquetel aos participantes.


Depois da parte mais formal, a parte mais deliciosa: a primeira apresentação na Cozinha Show! O Chef Marcílio Souza ensinou com fazer um sashimi de piranha. Isso mesmo, sashimi de piranha! Claro que, como tudo por aqui, abrasileiramos a receita, misturando técnicas japonesas com ingredientes locais.


E eu vou passar aqui as dicas que o Chef Marcílio nos deu para fazer um prato impecável.
  1. Tenha uma boa faca, para conseguir um corte uniforme;
  2. Treine um pouco. No começo, o filé da piranha não vai ficar lindo, mas conforme se pega o jeito, melhor ele fica;
  3. Faça 3 cortes no peixe: um transversal, na altura do olho do peixe, até  próximo ao rabo; outro na cabeça, cruzando com o primeiro corte; e o terceiro ao longo do lombo. As pontas de cada um desses cortes se unirão, possibilitando a retirada do filé;
  4. E é isso mesmo: cada piranha dá apenas um filé! Aproveite o restante para fazer um caldo;
  5. Com o filé nas mãos, retire a pele e a parte mais escura do filé. Aproveite a pele para fazer uma boa pururuca, perfeita para acompanhar outra paixão dos sul mato grossenses, a cerveja bem gelada.
  6. Corte o filé em pedaços bem finos, para possibilitar a retirada dos espinhos;
Agora é a hora do tempero e, assim como a espécie do peixe, ele também foi adaptado ao gosto local. E, dessa forma, o sashimi do MS é bem mais parecido com o ceviche peruano do que com o sashimi japonês. Lá em Corumbá e por quase todo o Estado, o tempero tradicional é o shoyu, cebola e limão. Para quem não é muito fã do molho de soja, o Chef Marcílio passou o tempero tradicional do ceviche, que também fica muito bom: limão, pimenta fresca, sal, coentro e cebola. E para quem quiser dar um toque especial, basta adicionar um pouquinho de gengibre.



Agora é só marinar por 15 minutos e degustar! Nós, que estávamos no evento, provamos e aprovamos a versão com o tempero do ceviche. Ah, e uma última dica: segundo o Chef Marcílio, um acompanhamento perfeito para o sashimi de piranha é a batata doce, seja frita, cozida ou em purê (!!). Alguém imaginava essa??? Segundo ele, o adocicado da batata equilibra os sabores mais fortes e ácidos do sashimi, num casamento ideal..

Gostaram?? Para quem aprovou, tentem fazer em casa e não percam os próximos posts, com todos os detalhes sobre os outros 3 dias da Arena Gastronômica MS. Aliás, para quem gostou mesmo, que tal prestigiar o evento?? Todos os dias haverá diferentes apresentações culturais, além das aulas e degustações, como a que ocorreu ontem:


E, além disso, basta se cadastrar para receber um mimo da Abrasel: um livro guia com fotos de pratos da gastronomia do Mato Grosso do Sul. Está imperdível, meus amigos gourmet!